Estilhaça-me, de Tahereh Mafi

17 setembro 2012 |

Livro: Estilhaça-me (Shatter Me) | Autor: Tahereh Mafi 
Editora: Novo Conceito | Páginas: 304 
Juliette não toca alguém a exatamente 264 dias. A última vez que ela o fez, que foi por acidente, foi presa por assassinato. Ninguém sabe por que o toque de Juliette é fatal. Enquanto ela não fere ninguém, ninguém realmente se importa. O mundo está ocupado demais se desmoronando para se importar com uma menina de 17 anos de idade. Doenças estão acabando com a população, a comida é difícil de encontrar, os pássaros não voam mais, e as nuvens são da cor errada. O Restabelecimento disse que seu caminho era a única maneira de consertar as coisas, então eles jogaram Juliette em uma célula. Agora muitas pessoas estão mortas, os sobreviventes estão sussurrando guerra – e o Restabelecimento mudou sua mente. Talvez Juliette é mais do que uma alma torturada de pelúcia em um corpo venenoso. Talvez ela seja exatamente o que precisamos agora. Juliette tem que fazer uma escolha: ser uma arma. Ou ser um guerreiro.
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Eu estava louca e ansiosa por Estilhaça-me antes mesmo dele chegar ao Brasil - graças a sinopse que me ganhou logo na primeira vez, e algumas ótimas resenhas - , e fiquei super feliz quando não me decepcionei. Tanto que o livro se tornou um dos favoritos. Pelos personagens, pela narrativa, por tudo.

Juliette passou a vida sendo a garota que ninguém deveria conversar e jamais tocar, sendo um monstro. Quem consegue ser mentalmente estável quando seus pais a mandam para um hospício? Ela está enlouquecendo e sua mente é confusa e Tahereh nos mostra isso ao descrever os pensamentos de Juliette e então riscá-los, como se ela mudasse de ideia, como se não devesse estar pensando aquilo.

Somos alimentados de mentiras porque acreditar nelas nos torna fracos, vulneráveis, maleáveis. Dependemos de outros para nossa alimentação, saúde, sustento. Isso nos enfraquece. Cria covardes de nosso povo. Escravos. É hora de revidarmos.

Eu demorei a me acostumar com a narrativa, admito. Com os pensamentos reprimidos e as palavras repetidas que dão ênfase aos sentimentos exagerados de Juliette e, principalmente, com as metáforas. Tahereh usou muitas metáforas e no início isso me irritou um pouco, achei desnecessário, mas depois entendi que era como a protagonista conseguia se expressar e até gostei.

O romance de Juliette e Adam é, ao mesmo tempo, verdadeiro e sexy e puro e sexy e arrebatador. Podem me julgar, mas a melhor parte de um livro para mim é o romance, é como a protagonista descreve os sentimentos, no caso, um beijo ou um toque. É como eu entendo seus sentimentos, é meio que como me identifico com ela. E Juliette descreve muito bem todo o desejo que Adam desperta nela. E, na atual situação literária, devo dizer que é hot sem ser pornográfico. Eu adorei.

Ele toma minha mão e a aperta em seu rosto e eu sei que eu nunca entendi a beleza do sentimento humano antes disso.

Talvez o melhor personagem seja o vilão Warner. Ele é charmoso e persuasivo, ao mesmo tempo que é psicopata e sádico. Ele é tão bem desenvolvido que meu ódio por ele é real e palpável. Sem dúvida entrou para o meu top 10 dos vilões mais cruéis e odiados da literatura.

Enfim, Estilhaça-me me encantou e eu estou louca ansiosa pela continuação. E sim, eu já gostava de riscar palavras, então agora ferrou.
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